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Mercedes-Benz aposta em crescimento de 15%

07/02/2018

Em época de recuperação gradativa da crise econômica brasileira e de eleições federais e estaduais, os segmentos relacionados à produção de ônibus no Brasil devem registrar expressivas altas em unidades fabricadas (volume), mas sempre com a ressalva que o crescimento se dá sobre uma base de comparação reduzida, já que nos últimos três anos, o setor registrou quedas consideráveis de maneira consecutiva.

O maior crescimento deve ocorrer no primeiro semestre, antes da realização das eleições.

A avaliação é de Mercedes-Benz que concentra em torno de 60% do mercado de ônibus de oito toneladas para cima.

“No ano passado, o mercado total de ônibus fechou em 11.440 unidades, o que dá 5% acima de 2016. Neste ano [2018], nós estamos estimando um crescimento de 15% a 20% no segmento de ônibus, o que deve atingir um patamar na casa de 13 mil a 14 mil unidades, basicamente impulsionado pelos segmentos de ônibus escolares e de ônibus rodoviários. No caso do escolar, a Mercedes-Benz participou de uma grande licitação do FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação e venceu um lote chamado ORE 2 – Ônibus Rural Escolar, que é um veículo lançado no ano passado, de porte médio, de nove toneladas e nove metros com bloqueio de diferencial, pneus especiais para operar em condições mais extremas com capacidade para transportar 44 alunos. Vencemos a licitação para fornecermos até 1,6 mil unidades” – disse na manhã desta segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018,ao Diário do Transporte, o diretor de vendas e marketing ônibus da Mercedes-Benz, Walter Barbosa, na sede da fabricante, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Entre dezembro e janeiro, o FNDE realizou uma licitação que envolve 5,6 mil ônibus para o Programa Caminho da Escola.

Além dos 1,6 mil da categoria ORE -2 Médio que devem ser fornecidos pela Mercedes-Benz, haverá a aquisição por meio desta licitação de 1,6 mil da categoria ORE-1 (29 alunos – 7,4 metros, de 7 a 8 toneladas); 800 unidades do ORE-1 4×4 (24 alunos – 7,4 metros, de 7 a 8 toneladas) e 1,6 mil ônibus da categoria ORE 3 (59 alunos – 10,8 metros, 15 toneladas).

Este montante deve ser entregue ao longo do ano, com possibilidade de unidades fornecidas até meados de 2019. A quantidade de 5,6 mil representa um limite de ônibus, havendo a possibilidade de não se alcançar este limite. Depende dos cadastramentos dos estados e municípios e liberação de verbas pelo FNDE.

Além disso, por ser ano eleitoral, há uma regra que a transferência de recursos do Governo Federal para estados e municípios só pode ser feita até o último dia de junho.

As montadoras e encarroçadoras podem até entregar os ônibus entre julho e dezembro, mas só receberão o pagamento depois das eleições.

O executivo ainda destacou a vitória de marca em uma licitação da Seplag/MG – Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minais Gerais para o fornecimento 905 micro-ônibus nove toneladas, do modelo LO-915 para transportes de pacientes a serviço da Secretaria de Saúde.

Como noticiou o Diário do Transporte no último dia 22 de janeiro, estes micro-ônibus em Minas Gerais terão carrocerias Mascarello.

PREVISÃO PARA A MERCEDES-BENZ:

Walter Barbosa disse ainda que especificamente para a Mercedes-Benz, o crescimento no setor de ônibus em 2018 deve seguir a média do mercado geral e ficar entre 15% e 20%, mas que em 2017, a empresa registou alta bem acima do registado na média do setor.

“No ano passado, o mercado [de ônibus] cresceu 5% e a Mercedes-Benz praticamente 40% em volume” – comentou.

ÔNIBUS RODOVIÁRIOS:

Em relação aos ônibus rodoviários, a Mercedes-Benz também acredita que o primeiro semestre de 2018 será mais promissor que o segundo.

Um dos motivos para isso é a entrada em vigor no mês de julho da exigência de plataformas elevatórias para ônibus rodoviários com o objetivo de melhorar a acessibilidade de pessoas portadoras de deficiência. Para escapar dos preços maiores que devem ter os ônibus com estes dispositivos, os empresários devem correr e antecipar as compras.

A recente regularização do mercado de ônibus de linhas interestaduais e internacionais da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, com autorizações individuais de operação por linha, com novas regras de limite de idade dos veículos, ainda vai ter efeitos na indústria. Para o sistema da ANTT, a projeção da marca é de em torno de mil ônibus novos.

O sistema da Artesp, que inclui os ônibus rodoviários intermunicipais e os suburbanos do Estado de São Paulo, deve corresponder a 600 ônibus novos, isso se a licitação de fato sair.

As entregas de propostas estão previstas para o dia 15 de março, mas as empresas de ônibus não concordam com alguns termos do edital, em especial, a divisão do sistema em cinco lotes, sem a possibilidade de um mesmo grupo empresarial poder operar em mais de uma região. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/01/13/detalhes-da-licitacao-da-artesp-tarifas-promocionais-cobranca-por-bagagem-extra-e-padronizacao-visual/

O rodoviário de 15 metros, lançado de forma oficial em 2017, também deve continuar sendo destaque.

Walter Barbosa explicou que os ônibus de dois andares de quatro eixos até 2016, quando o comprimento máximo permitido era de 14 metros, correspondiam até 3% das vendas da categoria para a marca. Em 2017, com a versão um metro maior, este número saltou para 15%.

No ano de 2018, o rodoviário de 15 metros, dois andares e quatro eixos, deve ocupar de 15% a 20% do segmento.

As empresas têm visto vantagens no modelo porque dependendo do tipo da linha operada, o custo por passageiro num ônibus 8×2 pode ser muito semelhante ao 6×2 (três eixos), mas com lucratividade maior.

Na versão 8×2 de 15 metros é possível transportar mais pessoas por veículo, com mais de uma categoria (por exemplo, leito-cama embaixo e executivo no segundo andar), além de qualificar a imagem da empresa, já que estes ônibus são mais bonitos e imponentes.

Fonte: Adamo Bazani, Diário do Transportee

 

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